domingo, 18 de novembro de 2007

Perda


E se acaso eu lhe dissesse que nunca haverá um fim?

Sou a fria neve, e o mundo é conflagração.

Não queria que fosse dessa forma,

Mas às vezes não consigo me ocultar.

Por vezes me encontro neste âmbito sombrio,

E então, tudo que desejo é uma fuga.

Acaso esteja a meu lado,

Inevitável será que sejas tragada pra dentro,

E temo que vejas por traz da face sorridente,

Temo que perceba o inferno por dentro,

A eterna e intolerável sensação de perda.

As paredes de vidro não representam proteção alguma,

E eu absolvo a força do impacto.

Há medo, e há devaneios de terminar com tudo.

Sinto o calor de teu toque.

Seus olhos parecem ter a capacidade

De me dissecar o coração,

E sem significado é a vida agora.

Estranho como a escuridão cai tão repentinamente

Em uma ofuscante manha de sol,

E então eu não posso mais vislumbrar o que há a meu redor,

O que há de vivo em mim.

Como a canção de um velório a escuridão me leva

Nesta dança inerte,

Onde tudo que posso fazer é fixar meus olhos

Nas frágeis paredes de tijolos que ruem no espelho.

O que sou eu quando o sol nasce?

O que devo eu fazer?

Onde estará a inspiração, uma vez tão vivida nas veias?

Seria isto uma enfermidade?

Ou só agora estou despertando?

Meus olhos são como os teus,

Minha realidade porem, é tão diferente.

Angustia é algo esmagador quando incide.

É a escuridão que vejo,

É a semente escura em mim,

Florescendo em tudo que me fere a essência.

Na densidão da névoa adiante

Eu posso de alguma forma, discernir a face de um anjo.

A face que agora me sangra o gélido coração

Perda...

Medo...

E minhas mãos tremulas não encontram descanso

Respirar pode ser tão difícil

Quando se nada em um oceano de soluços.

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