quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Gritos


E tão seguro
Não existe volta
O que sobrou foi o silêncio
e a perda
Seguida de dor
O mundo que ela era
Uma criatura da luz
Mas só para mim
Ela era as batidas do meu coração
Em meu peito

Mas naquele dia
E naquele lugar
O orgulho foi quebrado
Tal como o coração dela

Hoje  eu perambulo
na floresta escura
E volto ao vale
Hoje - eu vago
Por ruínas profundas
Sem objetivo sem descanso
Hoje - eu perambulo na floresta escura
E volto ao vale

A foto dela comigo
Hoje as lágrimas dela estão queimando
Então eu as bebo

Aqui estou, humano
E eu beijo meu saudoso despertar
Aqui eu estou, estranho
E eu beijo meu saudoso despertar

Ainda mais profundo
Mais profundo que o anseio
Lá ela esconde
Sua vida do mundo
Fraca e trêmula
Suas mãos estendidas
Manchadas de sangue e
Mutiladas em seu corpo

E lá ele jaz
E ainda posso ouvir seus gritos

Quebrado e abatido
Ridicularizada pelo mundo...
Uma vez uma luz saiu dele
Agora ele cospe em si mesmo e jaz
Em seu sangue
Nas margens do fosso
Ele espera a morte
Coberta de lama e vergonha
E eu ouço seus gritos
Como ele grita...

Uma última vez
Eu estava lá embaixo no vale
Mais uma vez na ravina
Mais uma vez na cripta
Na qual ele se esconde agora
Se enterra e se cobre
Ele dificilmente ousa olhar para mim
Não ousa tocar-me
Pele na pele
Ele dificilmente ousa -
Ele dificilmente ousa olhar para mim
Tocar-me pele com pele

Hesitantemente eu levanto
Hesitantemente ela levanta
E eu seguro sua mão
Que me leva ao seu coração

O último beijo foi destinado a mim
A alma é seguida pelo coração
Os gritos são silenciados

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