sábado, 5 de junho de 2010

Alma em perigo



Agora segure a tocha
no meu rosto
Um pássaro sobrevoa a água
mas não me vê
Meu navio já naufragou há tempos
e eu estou afogando
Eu ouço tantos gritos de socorro
mas não há navios à vista

Só horas perdidas
Só dias perdidos
Perdidos quando morremos
Perdidos para que?
Mas eu vivo
Eu ainda vivo
Eu vivo
Como uma mentira

E o amor
uma ilusão
Você dança na luz do tempo
Você dança em vaidade
Uma garrafa vazia
e eu morro de sede
Nenhuma vela tem fogo ainda
Mas meu coração se queima

Eu escuto o choro de bebês
Mentira na primeira respiração
Cinzas a cinzas - pó ao pó
Os pecados sejam perdoados
Cego de raiva - cego de dor
Surdo de amor - Mudo de medo
Não consigo mais me segurar
Perco a razão

Não conhço sua voz
Não posso te entender
Nem sei como você é
Nunca te vi
Não posso falar contigo
Nem esta frase:
Eu te amo!

Eu amaldiçoo a lembrança e a envio para longe
Ela se deita em minha sepultura e esquenta para mim meu caixão
Quadros pintados só adulam
Pois quem pinta o que é tão feio?

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