domingo, 25 de julho de 2010
Desaparecida ...por Hamilcar Sena
Ele não sabia como encarar aquele fato, mas sabia que haveria alguma maneira.
Criou coragem e adentrou a casa simples nos subúrbios da cidade, bastante
afastado do centro, Passou por toda a extenção da casa até chegar numa varanda
com várias plantas, Marcos estava sentado em silêncio olhando o vazio como se
houvesse algo lá, Marcos era marido de Cínthia, uma amiga dos tempos de
faculdade, ele tinha ficado surpreso quando recebeu uma ligação dizendo que
precisava ir vê-los, porém se surpreendeu mais ainda ao ver o que o esperava, a
imagem de Marcos a sua frente em nada lembrava o sujeito simpático de outros
tempos, o olhar desnorteado e assustado de Marcos indicava que algo realmente
terrível havia acontecido, Giúlio se aproximou e pode ver as feridas e os
hematomas na cabeça de Marcos, também notou que o pescoço e as mãos dele estavam
machucadas, como se tivesse lutado com algum animal grande e bastante feroz .
Giúlio logo perguntou por Cínthia, o que houve para ele estar nesse estado e
por que ela não estava alí com ele também, mas Marcos continuava com seu olhar
catatônico a vagar pelo ambiente como se não compreendesse o que Giulio dizia,
somente uma palavra se ouvia da boca de Marcos, que com uma voz rouca começou a
repetir descontroladamente:
- Noite, noite, noite .....
Giúlio não compreendia o significado daquela palavra, mas não podia deixar que
o assunto morresse alí, e não morreria, ele sempre teve uma paixão secreta por
Cínthia, e mesmo que não tivesse tido coragem de se revelar a ela durante a
faculdade, não iria deixar que faltasse coragem para encontrá-la, ele sabia que
havia algo estranho nisso tudo. Falando com outras pessoas sobre o acontecido,
descobriu que Marcos foi encontrado ao amanhecer, nas margens de uma estrada que
levava até a cidade vizinha, há uns dois dias, o carro deles foi localizado a
alguns quilômetros dalí. Há essa altura a hipótese de sequestro já havia sido
descartada, mas o estado de choque de Marcos continuava, as idéias na mente de
Giúlio começavam a beirar o absurdo, pensou em diversas hipóteses para o
desaparecimento de Cínthia, hipóteses naturais e sobrenaturais, mas até que não
seria nada estranho que coisas assim acontecessem, uma vez que ela era meio
médium e que ele prórpio durante a juventude se envolveu com ocultismo.
O tempo foi passando e nada de notícias sobre o paradeiro de Cínthia, somente
sonhos e mais sonhos atormentavam a mente de Giúlio, sempre que fechava os olhos
ele via a imagem dela sendo encoberta por uma espécie de sombra viva, e depois
ele se via perdido em meio a escuridão profunda, ao acordar lembrava de Marcos
que dizia em seu estado catatônico, "noite". Desaparecida, entregue a noite,
essa era a conclusão que Giúlio chegou a respeito de Cínthia, sua busca
continuava, mas a certeza de que a encontraria diminuia cada vez mais, pelo
menos de encontrá-la como uma humana normal.
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