sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Mefisto



Como loucos, alguns se enforcam numa árvore morta há anos
Alguns discutem, ao mesmo tempo
Pois ninguém quer ouvir
Variações do vazio
Grandes temas sobre a vanglória

E enquanto alguns enlouquecem em estranhas performances
Trajando fantasias que são metáforas
Da nossa doença
Olhos famintos procuram-me...

Rindo, eu os alimento
Com jogos insignificantes, truques e filosofias
Por cujas respostas você morreria
Na sua ânsia em crer

Espanta-me como isso funciona
E faz-me querer saber
Por quanto tempo isso foi meu
Pois isso agora me incendeia

Como se a ignorância fosse meu desejo secreto...
Sou um anjo vestido de vermelho
Sobrevoando você, deixando marcas das asas de fogo
Aprendi a voar
Não se lembra?
Enquanto você ainda não desceu
Da sua árvore morta há anos
Posso lhe ensinar maravilhas se você me der sua alma
Maravilhas e sonhos fantásticos podem ser seus
Posso lhe ensinar como aço vira ouro
E como a vida pode envelhecer tanto

Mas sou um mero demônio vestido de vermelho
E não espero que você compreenda... Mefisto

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